Truita sense sal

segunda-feira, 14 de Maio de 2018

 

 

 

 

Traduzindo do catalão, tortilha sem sal.

Foi exatamente assim o monótono e previsível GP da Espanha.  O campeonato vinha tão bem, embalado por corridas tão interessantes e cheias de emoção, que uma hora essa alegria ia acabar. Não que seja novidade, a pista da Espanha raramente é palco de corridas muito emocionantes.

Nem mesmo a incrível barbeiragem do Grosjean, na primeira volta, alterou o panorama da prova. O francês voltou a pilotar no estilo kamikaze do início de carreira, quando parecia desconhecer o pedal do freio.  O que ele fez foi inacreditavelmente perigoso e, felizmente, não houve maiores consequências, a não ser deixar dois bons pilotos (Hulk e Gasly), fora da prova. A punição de três posições no grid de Mônaco saiu muito barato. A Haas parece ser a quarta força do campeonato, mas, para surpresa geral, quem vem tendo um bom desempenho (apesar do incidente em Baku) é Magnussen.

Vettel pulou para o segundo lugar e o strike do Grosjean alterou as posições da segunda metade do grid. Vinham todos tranquilos, seguindo a procissão, com Hamilton num ritmo impressionante, até que a Ferrari do Kimi simplesmente perdeu potência e o Iceman foi obrigado a abandonar, num raro problema mecânico da Ferrari. Mais uma decepção para o pequeno Thomas, que encantou a todos em 2017, ao chorar compulsivamente quando o Bottas colocou Kimi fora da prova logo na largada.

Estranhamente a Ferrari não seu deu bem com os compostos escolhidos pela Pirelli e o Vettel foi obrigado a fazer duas paradas, o que tirou suas chances de pódio. Mercedes e Red Bull fizeram apenas uma parada e, embora tenha feito uma pequena bobagem, Verstappen conseguiu passar incólume por todas as 66 voltas e chegou em terceiro lugar.

Algumas ultrapassagens na turma do fundão ajudaram a não pegar no sono, e os dois pilotos da casa chegando na zona de pontuação animaram a torcida espanhola. Destaque para Leclerc, mais uma vez nos pontos com a Sauber, que só não é pior que a Williams.

A decadência da Williams, aliás, provocou uma reunião de emergência, muito embora pouca coisa possa ser feita a esta altura do campeonato. Kubica já declarou que é quase impossível manter o carro na pista. E como ele é muito mais piloto que Stroll e Sirotkin, dá para acreditar.

Hamilton abriu uma boa vantagem sobre Vettel (aquela bobagem em Baku está custando caro…), mas nada que não possa ser recuperado. Daqui a duas semanas tem Mônaco, outro circuito que estimula a devoção, com mais uma procissão. Mas ali temos o cenário mais espetacular do ano e é um lugar onde o Sobrenatural de Almeida costuma dar as caras. Vamos orar para a Sainte Dévote, padroeira do principado, nos proporcionar uma bela corrida.

A bientôt.

Vera Peres

 

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi e mãe do peludo Kimi Räikkönen. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

 

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