Prata de lei.

terça-feira, 14 de maio de 2019

 

 

 

 

Num circuito muito conhecido por todas as equipes, seria difícil termos uma surpresa. A corrida foi tão monótona, mas tão monótona, que eu só não dormi porque estava pilotando o fogão, fazendo um almoço especial para o Dia das Mães.

A corrida foi definida na largada, quando Bottas ficou emparedado entre Hamilton e Vettel. O inglês tomou a ponta, abriu vantagem e teve uma corrida tranquila. Bottas conseguiu se defender de Vettel, que perdeu a posição para Verstappen e foi isso. Algumas disputas no pelotão intermediário, diferentes estratégias de paradas e um safety car faltando 15 voltas poderiam ter dado alguma emoção, mas nem assim…

A Mercedes domina amplamente, de forma esmagadora, com cinco dobradinhas. E a Ferrari está completamente perdida. Espero que o Bottas consiga ser um Rosberg na vida do Hamilton, do contrário o campeonato estará decidido no meio da temporada.

Como a corrida não rendeu assunto, vou falar um pouco sobre a questão SP x Rio, que andou fervendo na mídia, na semana passada.

Para quem não acompanha os bastidores do esporte, seguem algumas considerações:

– A F1 está se lixando para a situação política dos países onde corre. Já teve prova na África do Sul, em pleno Apartheid, corridas no Brasil e na Argentina durante as ditaduras militares, correm hoje nos EUA, na China, na Rússia, em monarquias do Oriente Médio, etc, etc, etc. O calendário de 2019, com o GP do Brasil confirmado em Interlagos, já havia sido divulgado antes das eleições no Brasil;

– A F1 não constrói circuitos, é um esporte;

– Existe um contrato até 2020 com SP. Quem pagaria uma fabulosa multa por quebra de contrato?

– Não se constrói um autódromo em menos de um ano. Os novos circuitos que entraram no calendário levaram, em média, um ano e meio para serem construídos;

– Após o término do contrato com SP e se existir um autódromo no Rio, a corrida pode mudar de local. Mas destruíram o circuito de Jacarepaguá e agora querem construir uma nova pista, num lugar ainda mais distante, em área de reserva ambiental e num terreno que passou por uma descontaminação, por conta dos restos de munição e material explosivo do Exército?

– Por fim, e não menos importante, toda a cidade que sedia um GP paga uma taxa para os organizadores. SP não paga esta taxa desde o ano passado, por conta do contrato que Bernie Ecclestone fechou com seu parceiro comercial e promotor do GP Brasil Tamas Rohonyi, valendo até 2020. Para manter o GP a partir de 2021, SP teria que pagar cerca de 20 milhões de dólares, valor que as provas europeias pagam ao Liberty Media, dono dos direitos comerciais da F1. Esta taxa sai dos cofres públicos. Se SP, a maior economia do Brasil, não conseguir pagar, não me parece que o Rio, na situação atual, tenha condição de arcar com esse custo.

E dia 26 maio tem Mônaco, com seu cenário de cartão postal. Vamos apelar para a Sainte Devote, esperando uma corrida interessante.

Até lá!

Vera Peres

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

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