O Cavalinho Empinado e o Touro Vermelho.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

 

 

Paixão é acordar 03:45 da manhã e ligar a TV, esperando ver seu piloto favorito (um nórdico dotado de um senso de humor muito peculiar) finalmente buscar um belo resultado para si, sem ter que ajudar diretamente o companheiro de equipe. E aí você escuta duas palavrinhas assustadoras: no power.

Como o cavalinho nº 7 sendo retirado do grid e nem conseguindo largar, a expectativa de uma boa corrida passou para os brinquedinhos do touro vermelho, que não decepcionaram quem teve que aguentar um narrador que adora gritar “Luís Réééémilton” (quando a gente pensa que nada pode ser mais chato que o Tião Gavião…).

O adolescente espinhento foi ousado e o atual líder do campeonato foi esperto o suficiente para acionar o modo de segurança, deixando de lado a influência do falecido piloto tricampeão brasileiro para pensar como um certo piloto francês tetracampeão.

O canguru sorridente não largou muito bem, mas se recuperou na corrida com um belíssimo desempenho, segurando o ataque do conterrâneo do piloto alemão heptacampeão, que fez uma extraordinária corrida de recuperação e foi o piloto do dia, além de ter batido o recorde oficial do circuito.

Circuito este, aliás, que teve sua despedida com esta corrida. Situado num país asiático, muito quente e úmido, sede do principal patrocinador da equipe alemã que tem sob contrato o atual líder do campeonato, correr nesta pista exige muito dos pilotos, que não deverão sentir saudade do calor. Eu certamente não sentirei falta do fuso horário, que me obriga a assistir provas num horário totalmente maluco.

Mas, mais insano do que isso, foi escrever esse texto como se eu estivesse narrando a corrida e seguisse os policies da emissora detentora dos direitos de transmissão, para quem a Pirelli é a fornecedora de pneus, a Fiat é aquela montadora italiana que é dona da Ferrari e por aí vai. Exagerei só um pouquinho, para mostrar o ridículo da situação.

E ainda tem mais uma coisa irritante: a mania exasperadora de falar por cima do rádio, privando os fãs da diversão que é acompanhar a comunicação entre equipes e pilotos. Mas depois dá para a gente visitar as diversas redes sociais onde a F1 tem seus perfis (não citarei nomes, para não ter que pagar multiplicidade de marcas) e curtir à vontade – opa, desconsiderem o curtir, que remete ao Facebook. Vamos usar o verbo apreciar, ok? Fica a questão: como irão se referir à equipe Aston Martin Red Bull Racing, na temporada de 2018?

 

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi e mãe do peludo Kimi Räikkönen. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

 

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