Dia de fúria.

terça-feira, 11 de junho de 2019

 

 

 

 

Aí a F1 chega ao Canadá, uma pista sensacional, tem a grata surpresa de ver a Ferrari finalmente andando bem, com uma bela pole do Vettel, e o que acontece? Numa decisão estúpida, Vettel é punido e entregam a corrida de bandeja para o Hamilton, deixando a maioria dos fãs furiosos e grandes nomes do esporte decepcionados.

A corrida estava interessante, com boas disputas nas posições intermediárias, muitas ultrapassagens e uma bela briga pela ponta. Até que Vettel cometeu um erro, saiu da pista e, ao voltar, obrigou Hamilton a frear, para não bater. Detalhe: o carro do Hamilton não estava nem um centímetro ao lado da Ferrari, quando Vettel corrigiu a trajetória, ao voltar para a pista. Ele não mirou a lateral da Mercedes e deu no meio, não empurrou ninguém contra o muro, não tocou rodas. Em um piscar de olhos, literalmente, teve de consertar uma escapada, ajustar a trajetória e devolver seu carro para a pista e não bater em nada — havia um muro a centímetros de distância e outro carro muito próximo. A decisão ridícula feriu não só uma batalha dura e justa na pista, mas todo o espetáculo.

Se alguns, principalmente aqui no Brasil, onde a implicância com a Ferrari é enorme, acharam justa a punição, nomes como Mario Andretti, Nigel Mansell, Mark Webber, Damon Hill, Reginaldo Leme e Flavio Gomes não concordaram com a decisão – e eu estou com eles. A declaração do Mario Andretti foi muito coerente, ao definir como as ações dos comissários deveriam ser repensadas. “Acho que a função dos comissários é punir manobras flagrantemente perigosas, não erros comuns que resultem de uma disputa intensa. O que aconteceu no GP do Canadá é inaceitável neste nível de nosso grande esporte”.

A reação do Vettel diz tudo. “Infelizmente, este não é o esporte pelo qual me apaixonei”. Nem nós, Seb, nem nós… Não levar o carro até o parque fechado e inverter as placas foi uma rara demonstração de humanidade, fugindo do comportamento estereotipado e robótico que a FIA e as assessorias de imprensa impõem aos pilotos.

Depois de toda essa mixórdia, vamos falar de uma coisa boa. A transmissão pelo globoesporte.com foi sensacional, um alívio para os fãs! Nada de locutor gritando, falando por cima do rádio e narrando uma corrida diferente da que estamos assistindo. Narração enxuta, comentários pertinentes e uma ampla cobertura pré e pós corrida. Sou a favor de termos esse formato em todas as corridas!

Agora é respirar fundo e buscar ânimo para continuar assistindo um campeonato previamente decidido. Espero que ao menos a repercussão em torno do episódio sirva como alerta para corrigir o rumo, do contrário vão matar definitivamente o interesse dos fãs pela categoria.

Em duas semanas teremos GP da França, espero que a disputa seja somente na pista.

Até lá!

 

Vera Peres

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

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