Coisa de Cinema – parte 2

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

 

 

 

E agora é a vez do meu filme favorito sobre automobilismo – Grand Prix.

Produzido em 1966 e dirigido por John Frankenheimer, é absolutamente perfeito, com a incrível abertura do Saul Bass (que merece um post exclusivo), a trilha sonora do Maurice Jarre, as participações de Yves Montand, o monstro sagrado francês, James Garner (reza a lenda que Steve McQueen recusou o papel de Pete Aron), Eva MarieSaint (uma das louras geladas do Hitchcock), Adolfo Celi (que viveu no Brasil e montou uma companhia teatral com Tônia Carrero) e Toshiro Mifune, o mais popular ator japonês no Ocidente.

Como se isso não bastasse, vejam a lista de pilotos que aparecem ao longo do filme (relacionei apenas os mais famosos): Juan Manuel Fangio, Graham Hill, Chris Amon, Lorenzo Bandini, Jean Pierre Beltoise, Jack Brabham, Dan Gurney, Bruce McLaren, Peter Revson (herdeiro da família dona da indústria de cosméticos Revlon), Joe Siffert.

Suas três horas de duração (179 minutos, incluindo a abertura e o intervalo) são pura magia e um belo registro das mais tradicionais pistas europeias: Mônaco, Spa, Monza (ainda com a velha parabólica inclinada), Clermont-Ferrand, Zandvoort, Brands Hatch (que eu acho bem mais interessante que Silverstone) e muito mais.

Cada corrida foi filmada de uma forma diferente e os atores realmente pilotavam os carros, que eram máquinas da F2, na época muito parecidas com os carros da F1. Antes de cada corrida a equipe do filme montava todo seu aparato, filmava os atores e depois continuava o trabalho na corrida verdadeira, gravando belíssimas tomadas. A edição foi primorosa e o resultado final é nada menos que fabuloso.

Para os ferraristas vale o registro emocional da fábrica em Maranello (o prédio ainda está de pé e pode ser visto da estrada) e do fantástico ônibus vermelho que transportava os carros.

O filme está disponível em DVD duplo, recheado de extras interessantíssimos, com muitas histórias dos bastidores. Ao assistir os documentários e entrevistas podemos entender o tamanho do desafio que foi a produção desse filme. Literalmente foi um pesadelo estratégico, com um grande número de pessoas se deslocando pela Europa, tendo que entender a cultura de cada lugar e negociar com diversas autoridades.

Infelizmente nunca tive a sorte de assistir ao filme na tela grande, para aproveitar ao máximo a fotografia, a trilha e as corridas.

That’s all folks.

 

Boas Festas e rumo a 2018, acelerando,

mas sem ultrapassar o limite de velocidade.

 

Vera Peres

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi e mãe do peludo Kimi Räikkönen. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

 

Forma | Conteúdo | Moda Masculina | Design |Marcas |Universo Masculino Alfaiataria | Luxo | Primavera-Verão | Coleção | Experiência

Leia Também