Bye bye Brasil?

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

 

 

 

O sábado de chuva não interferiu na formação do grid, Hamilton errou sozinho, ainda no Q1, com pista seca. Mas esse erro, a punição do Ricciardo e as confusões da primeira volta garantiram a emoção para o domingo de sol e calor.

Vettel largou bem, superou Bottas e Verstappen não aprontou nada, deixando o Kimi inteiro e tranquilo na terceira posição. Hamilton, como era de se esperar, foi ganhando posições com tranquilidade e quase beliscou um lugarzinho no pódio. Ricciardo teve um pouco mais de trabalho, mas também fez uma bela corrida de recuperação.

Foi uma boa corrida, com muitas ultrapassagens, arquibancadas lotadas e a despedida do Massa, fazendo uma prova correta, dentro das possibilidades que o carro da Williams proporciona (e não “com as limitações que o carro oferece”, como perguntou o repórter da emissora de TV brasileira).

Mas o futuro do GP está ameaçado, e não é pela ausência de um piloto brasileiro no grid.

A urgência da prefeitura de SP em realizar um leilão de privatização é um risco sério para a continuidade da prova. Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o autódromo não traz prejuízo aos cofres públicos. É um equipamento que pertence à cidade e todos os eventos que acontecem ao longo do ano (e são muitos) pagam para utilizar o espaço. O GP movimenta e economia paulistana e é um dos mais tradicionais do calendário.

Meu receio é o interesse de grupos imobiliários em explorar a região, que pode acabar matando a pista, assim como aconteceu com Jacarepaguá. A pista carioca começou a ser mutilada nas obras do Pan 2007 e despareceu completamente com os Jogos Olímpicos de 2016. Não preservaram nenhum traço físico da existência de um autódromo onde aconteceram momentos históricos do automobilismo brasileiro e internacional. A pista sobrevive apenas na memória dos fãs e nos vídeos e fotos disponíveis na web. Não gostaria que Interlagos também fosse varrida do mapa. Na Rússia, a pista de Sochi foi construída entre as instalações dos Jogos de Inverno, mostrando a viabilidade desse tipo de projeto.

Mas espero estar errada, quero ficar bem velhinha e ainda ter o prazer de assistir uma corrida em Interlagos, olhando para o lado da represa e espreitando o céu, na expectativa da chuva.

Vera Peres

Vera Peres é publicitária e apaixonada por Fórmula 1 – desde sempre. Acorda no meio da madrugada para acompanhar corridas. É Ferrarista, fã incondicional do Schumi e mãe do peludo Kimi Räikkönen. Já visitou a Ferrari em Maranello, viu Alain Prost, David Coulthard, Damon Hill e Jacques Villeneuve treinando no autódromo do Estoril, viu o Hulkenberg marcar a única pole da carreira (até agora), em Interlagos/2015, debaixo de uma chuvarada, chorou com a morte do Gilles Villeneuve, coleciona filmes, documentários e livros sobre o esporte. O seu sonho de consumo é assistir – ao vivo – uma prova em Monza ou em Spa.

 

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