Ingredientes da cerveja: Lúpulo.

sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

 

 

 

 

 

Você já se perguntou de onde vem o amargor da cerveja? O lúpulo é o responsável por esse amargor. Mas o que vem a ser o lúpulo? O lúpulo (Humulus Lupulus) é a flor de uma trepadeira da família Canabinacea (sim, ela é prima da dita cuja). Dentro desta flor em formato de cone, podemos perceber um certo “pó” amarelo, na base das pétalas, Esse “pó” é na verdade formado por várias glândulas chamadas de lupulina. Dentro destas glândulas estão as resinas (responsáveis pelo amargor) e os óleos essenciais (responsáveis pelos aromas e sabores) característicos da planta.

O amargor na cerveja é medido em IBU (unidade internacional de amargor) e refere-se a 1 iso-alfa ácido diluído em 1 litro de cerveja. Quanto mais IBUs na cerveja, mais amarga ela se torna. Para extrair esse amargor é necessário ferver o lúpulo no chamado mosto (o líquido que – após fermentado – se tornará cerveja). Cada espécie de Lúpulo tem uma quantidade de alfa-ácido específica, ou seja, um potencial de amargor que passa para a cerveja. Além disso, traz consigo aromas específicos, resultado de combinações genéticas entre espécies e o terroir da plantação.

Os lúpulos são divididos em grupos por regiões específicas produtoras:

• Os chamados Nobres ou Continentais são os produzidos na região da Europa que compreende a Alemanha, República Tcheca  e regiões ao redor. Caracterizam-se por baixo amargor e aromas florais e herbais.

• Lúpulos Ingleses produzidos no Reino Unido, tem como características aromas herbais e terrosos.

• Lúpulos Americanos, com variedade de espécies e que contém diferentes quantidades de ácido alfa, em geral, possuem características herbais, levemente florais e muitas vezes cítricas, lembrando limão, pomelo, lima.

• Lúpulos da Oceania: nos últimos anos muitos lúpulos novos têm vindo desta região, as principais características são aromas que lembram frutas tropicais, como mamão, abacaxi, melão e maracujá.

Utilização:

A utilização dos lúpulos pode ser durante a fase quente (início, meio ou final  da fervura do mosto) ou na fase fria (maturação da cerveja), processo chamado dry hopping.

Na fase quente, conforme o tempo em que o lúpulo é fervido ele vai deixando o mosto mais amargo, se for pouco tempo deixará mais aromas, pois permanecem mais óleos essenciais que são volatilizados durante a fervura.

Na fase fria, apenas o aroma dos óleos essenciais passa para a cerveja pois o ácido alfa (responsável pelo amargor) não é diluído.

Existem estilos de cerveja em que o lúpulo é o ator principal. American IPAs (e suas variações), American Pale Ale, English Bitters e English IPAs são os principais. Nestas cervejas é possível perceber diversos aromas e sabores do lúpulo conforme sua região de origem, mas para isso é necessário um pouco de treino e beber bastante variações de receitas para entender as nuances de cada espécie. O que, convenhamos, não é nada mal.

Maurício Chaulet

 

 

Sugestões para beber:

English Bitter: Lucky Jack – Cervejaria Babel

English IPA: Fuller’s IPA, Meantime IPA

American IPA: Green Cow IPA – Cervejaria Seasons; Red Bloody Ale  – Cervejaria Maniba

Australian Pale Ale: Mellon Head – Cervejaria Baldhead

American Pale Ale: XulAPA –Cervejaria 8

 

Maurício Chaulet

Mauricio Chaulet é publicitário e empresário do segmento cervejeiro, produz a bebida desde 2006. É membro do BJCP (Beer Judge Certification Program) – sendo jurado de cervejas, palestrante em concursos e eventos nacionais e internacionais. chaulet@cervejamutante.com.br

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